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CONSTRUÇÃO TRADICIONAL INDÍGENA

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Indígena xinguano, Maniwa Kamayurá, ensina alunos de arquitetura da UnB.

Maniwa Kamayurá, representante dos povos indígenas do Alto Xingu, especialista em construção da residência tradicional kamayurá, foi o último mestre da disciplina Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais, do projeto Encontro de Saberes, promovido pela Universidade de Brasília (UnB) em parceria com a SID/MinC. Maniwa foi acompanhado pelo professor de arquitetura da universidade, Jaime Almeida e construiu, junto com os alunos, uma maquete das casas que está habituado a fazer.
A maquete construída tem 2m x 0,5m, uma casa original tem em média 10m x 40m e abriga cerca de 30 pessoas. Produzida com materiais orgânicos – madeira e fibras – é feita praticamente a mão, com pouquíssimas ferramentas, dura de 15 a 20 anos e leva cerca de sete meses para ser construída.
Maniwa e seu filho Wali passaram mais de duas semanas em Brasília com os alunos da UnB. O mestre explica que a casa é uma pessoa, sua estrutura tem costelas, pés, peito, pente, brinco, bumbum. “A gente faz uma pessoa e essa casa não é inventada, ela vem de nossos avôs. Só a família mora na casa, sogra, filhos, genro, tios, netos”.
Quando os indígenas do Alto Xingu casam, eles vão morar na casa da família da esposa e têm que trabalhar para o sogro, para os cunhados. Eles não se falam, a comunicação é feita por meio da esposa, quando o casal começa a ter filhos e aumentar sua família, constróem sua própria casa. Maniwa é da etnia kamayurá e sua esposa yualapiti. Há, no Alto Xingu, uma diplomacia histórica entre as várias etnias que vivem na região.
O professor Jaime Almeida explica que a construção das casas é trocada por comida, mas, além disso, os arquitetos têm um reconhecimento social dentro da comunidade, “é uma pessoa de talento”. Segundo o professor há uma preocupação muito grande dos povos que vivem no Alto Xingu com a escassez de alguns materiais utilizados há séculos e que estão se acabando devido às novas formas de relação com o local em que vivem. “Antigamente eles eram nômades e não havia escassez de material, pois eles se retiravam daquele espaço para a que a Terra pudesse se refazer, mas agora, com estão fixos, sofrem com o problema da falta de matéria-prima”.
Para ajudar a solucionar esse problema, o Centro de Pesquisa e Aplicação de Bambu e Fibras Naturais da UnB, através da Rede Brasileira de Bambu, irá propor ao Ministério da Ciência e Tecnologia um programa de pesquisa para encontrar formas de substituir esses produtos por outros sem prejudicar a tradição da moradia.





Comentários

  1. Admiro pessoas que se preocupam com a sobrevivência do nosso planeta, que amam a natureza em sua essência...parabens continue com esse trabalho lindo.

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  2. \+.+/ adorei o conteúdo que possui neste site muito bom mesmo! parabéns!!!

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  3. Desbravadores e corajosos...ficarão na história dessa grande mudança que se inicia...

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