SUPERADOBE - Experiencia em Dourados-MS

Estou iniciando a construcão de uma casa de superadobe, na cidade de Dourados-MS.


Para quem não conhece, o superadobe e uma tecnica construtiva que consiste em encher sacos de rafia com terra, formando um longo adobe, dispostos em camadas interligadas por fios de arame farpado. Estabilizantes tais como cimento, cal, ou uma emulsão de asfalto podem ser adicionados. 
Este conceito foi originalmente apresentado pelo arquiteto Nader Khalili para a Nasa, destinada a construção de habitats na Lua e Marte, como "velcro-adobe". Ela vem de anos de pesquisas e desenvolvimento e pode ser uma alternativa construtiva simples para abrigos humanos, desde que realizada com alguns cuidados indispensaveis.  
No Superadobe, a arquitetura de terra antiga do Oriente Médio usando tijolos de barro secos ao 


sol(adobes) é fundida com a sua cultura nômade, portátil, com elementos de tração. 

O projeto estrutural utiliza conceitos de engenharia modernas. A inovação de arame farpado acrescenta o elemento de tensão para as estruturas tradicionais de barro, criando resistência aos sismos, apesar da força da terra de baixo cisalhamento

Segundo informacões do instituto Cal-Earth as formas aerodinâmicas resistem a furacões, enquanto os sacos de terra acrescentam resistência a dilúvios, e isolamento à prova de fogo.

 O sistema pode ser utilizado para arcos estruturais, cúpulas e abóbadas, ou formatos convencionais rectilíneos. O mesmo método pode ser empregado para se construir silos, clínicas, escolas, elementos de paisagismo, ou infra-estrutura como barragens, cisternas, estradas, pontes, e para a estabilização costas e cursos de água.

Seguem as fotos da construção...







Para saber mais sobre o superadobe: www. calearth.org

FEIRA DE LIVROS

Uma novidade do Blog: CASA DE TERRA

Criei uma página destinada a venda e troca de livros de Arquitetura, Artes, Paisagismo, Design, Fotografia, Permacultura e outros. É só acessar FEIRA DE LIVROS e conferir.

CURSO DE PLANEJAMENTO EM PERMACULTURA-PDC

OFICINAS e práticas de BIO-CONSTRUÇÃO no PDC

 
Aula expositiva: Casa de Terra Caiuás


          Durante o curso de Planejamento em Permacultura (PDC) realizado pelo Instituto Quinta do Sol em parceria com o IPCP-Instituto de Permacultura Cerrado-Pantanal por meio de Adriana Galbiati, em Taboco-MS, ministrei as oficinas práticas de cord wood, taipa-de-pilão e tintas de terra, dentre outras técnicas de bio-construção experimentadas : parrareque, taipa de sopapo e cobertura de indaiá.


Aula expositiva: Bio-Construção

Taipa de pilão

Além disso tivemos duas noites de aulas expositivas e participativas, com os temas: Bio-construção e Casa de Terra, onde pude relatar um pouco de minha experiência prática de construção com terra e mostrar  bio-construções ancestrais e contemporâneas, a nivel mundial, atentando à detalhes dos sistemas construtivos mais relevantes ao nosso país, principalmente ao Estado de MS e região.





Cord Wood
 Para quem ainda não conhece o PDC é uma vivência integral de doze (12) dias imersos nos princípios e éticas da permacultura, na convivência com a natureza e no trabalho em grupo, onde desenvolve-se uma forma sistêmica de se pensar e conceber princípios, para se planejar, criar e gerir uma vida melhor, baseada nos cuidados com a terra, com as pessoas, na partilha dos excedentes e no cuidado com o planeta.



Sistema Agro-florestal
São alguns assuntos abordados e vivenciados: sistemas agro-florestais, padrões naturais, energias renováveis, água, saneamento ecológico, bio-construção, elementos do design em permacultura, sistema de trocas e partilhas, alimentação saudável, saúde integral do ser humano, ecovilas, educação, solo, plantios, dentre outros.



Banho de cachoeira

O encontro também contou com banhos de argila, banhos de cachoeira, práticas de yoga no alvorecer, experiências musicais, vivências de re-conexão com a natureza, meditações, jogos, rodas de capoeira, criação de brinquedos, dentre outros.

 
Parrareque

Feira de trocas

Taipa-de-pilão

Design em Permacultura

   Para saber mais acesse: PERMACULTURA 



Casa Saudável-Geobiologia

Geobiologia = medicina do habitat

" entender o lugar como um ser vivo que deve ser cuidado para que seja saudável e não enfermo. Cuidando da casa para que ela nos cuide, é uma maneira de cuidar das células do planeta, que são os seres humanos e todos os seres vivos..." 
                                                                               Allan Lopes

QUE TAL TELHADO BRANCO?

A campanha One Degree Less, lançada pelo Green Building Council Brasil em 2009, já atingiu mais de 450 mil m2 de coberturas em todo o país. A ideia, que partiu de um estudo feito pelo Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, na Califórnia, EUA, é simples: pinte seu telhado de branco e ajude a combater o aquecimento global. Como a cor clara reflete até 90% do calor do Sol (diferentemente dos telhados escuros, que absorvem), você gasta menos com ar-condicionado e reduz as ilhas de calor nas cidades. “Para cada 100 m2 de telhados brancos, são compensadas 10 toneladas de CO2 por ano”, diz Thassanee Wanick, presidente do GBC Brasil. Se você vai construir, uma dica: já existem telhas cerâmicas e até impermeabilizantes para lajes nesse tom.

PISCINAS NATURAIS

Uma piscina ecológica é como um lago natural, um sistema que usa a natureza como modelo, recriando a estrutura e dinâmica funcional de uma zona úmida natural. Embora nem sempre seja fácil aceitar a ideia de se ter uma piscina ecológica em vez da clássica, a sua construção não apresenta grandes dificuldades ou custos, basta apenas alguma informação e vontade. Assim, há que ter esperança de que um dia se priveligiem estes sistemas em detrimento dos convencionais, pois estas piscinas representam um ecossitema em equilíbrio e com capacidade de se auto-regenerar. 
Uma piscina clássica acarreta custo elevados de construção (é sempre necessário a existência de um muro de betão em toda a volta), e de manutenção, na medida em que é feita uma estrelização constante da água, a utilização permanente de produtos químicos, mesmo nos períodos de menor utilização, e consumo de energia com bombas e filtros. É ainda importante mencionar o facto das piscinas convencionais acarretarem problemas de índole ambiental, económico e saúde. De facto, o cloro e os produtos quimícos utilizados na desinfecção são irritantes para a pele, olhos, cabelo e nariz, provocam desequilíbrios nos ecossistemas vizinhos e dificuldades acrescidas no tratamento dos efluentes. No entanto, apesar de se conseguir uma depuração da água muito boa é necessário que seja feita uma substituição total da água com uma certa periodicidade.Para além do que foi
referido, é importante ter em atenção o impacto visual, que é sempre artificial e desenquadrado da natureza. Existem outros problemas, inerentes às piscinas clássicas, que se prende com os assentamentos de terreno após a construção, que muitas vezes provocam problemas como rachas, fissuras, falta de impermeabilidade, azulejos descolados, roturas nas canalizações, etc.



As piscinas ecológicas não têm qualquer tipo de filtro mecânico, não são introduzidos produtos químicos na água, a limpeza e a purificação desta é feita pelas plantas, que também oferecem uma decoração aquática útica, onde a variedade de cores, texturas e cheiros passam a ser uma constante. Pode-se dizer que estas piscinas representam uma tecnologia limpa com funções lúdicas, estéticas, paisagísticas e de contributo para a saúde mental dos utilizadores, bastante evidentes. Para além do que foi referido, elas são inofensivas para a pele, olhos e cabelos, contribuem para a manutenção da biodiversidade ao criar um micro-ecossistema utilizável por
avifauna palustre, anfíbios e répteis. Estas piscinas também contribuem para a diminuição de melgas e mosquitos porque a água tem demasiado oxigénio e devido à presença de predadores, têm baixo custo energético, são silenciosas, não emitem cheiro e têm manutenção irrelevante (corte das plantes secas nas margens, remoção de folhas mortas, reposição da água evapo-transpirada e limpeza do fundo no compartimento de natação com um aspirador de dois em dois meses a partir da Primavera ou por queda se o declive o permitir).

REFERÊNCIAS


Franke, W., 2005. “Piscines écologiques – de la conception à la réalisation.”, ULMER, França.

www.naturlink.com; www.naturerlebnisbad.de; www.combloux.com; www.biopiscinas.pt

Revestimentos na Taipa

Durante o processo construtivo da casa algumas pessoas me questionaram quanto às paredes úmidas da casa (banheiro, cozinha), se daria para revesti-las com cerâmica, rebocar, etc.
Bom, de início digo que é um preconceito acharmos que a parede de taipa fica desmoronando, rachando, descascando facilmente. As paredes de taipa são muito resistentes, não é à toa que são estruturais, só não dá para ficar tomando chuva diretamente e é necessário revesti-las com algum material impermeabilizante nas partes úmidas sim, como qualquer outro material de construção.
A solução que tomei para o lavabo na Casa de Terra Caiuás, foi revesti-lo com meio tijolo maciço, afim de criar uma composição que valorizasse o local. Como eu possuía um espelho daqueles comuns, antigos, que possuem um armarinho embutido e gostaria de reaproveitá-lo, os tijolinhos foram muito pertinentes para criar uma rusticidade e dar um acabamento diferenciado. 
As paredes internas do banheiro foram revestidas com reboco e cerâmica, assentadas com argamassa colante, mesmo processo empregado em alvenaria comum. 

O lavabo foi composto por uma prancha de madeira reaproveitada, uma torneira antiga de cobre, daquelas que nem se fabricam mais e uma cuba da Deca das mais simples e econômicas encontradas no mercado e o resultado é este que estão vendo nas imagens...

Um lavabo simples e diríamos sofisticado.


Imagem: Lavabo Casa de Terra Caiuás 
Quebrando preconceitos...

Cord Wood


Cord wood (tocos de madeira) é o termo usado para uma método de construção natural onde são utilizados tocos de madeira intercalados com massa à base de terra (argamassa) para a construção de paredes. Deve-se tirar a casca, cortá-los no tamanho adequado (largura da parede) e depois assentá-los com a massa feita com uma mistura de terra, água, areia e algum aglutinante que pode ser palha, cimento ou cal. Quanto maior o diâmetro do toco, mais bonita fica a parede.  

 Na Casa de Terra experimentei esta técnica nos vãos que ficaram entre as paredes de taipa e a cobertura, retirando os tocos dos troncos de um angico que caíra com um forte vento. Gostei do resultado apesar das rachaduras que apresentavam os galhos e do diâmetro estreito dos tocos. Mas creio que com os acabamentos que pretendo fazer na casa o efeito final será melhor. A técnica é bem artesanal e permite reutilizar também garrafas de vidro entre os tocos e diversas espécies de madeira.







 Imagens: Casa de Terra Caiuás
Out. 2011